Como vai longe o dia, Maninho,
em que a gente podia ser comum
Entre ervas burras, folhas molhadas de mamona
e salsa
a gente podia ser
simplesmente
nossas mãos nossos pés nossos cabelos
e o que queimava dentro
no escuro
Como vai longe o tempo como as águas
batendo na amurada
alegremente
como os peixes
vivendo no seu músculo
o mistério do mundo
(julho, 1970)
GULLAR, Ferreira. Dentro da noite veloz; Poema sujo. São Paulo, Círculo do Livro, 19(-), p. 22.
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